
Sul-africana Caster Semenya vence os 800m feminino, no Mundial de Berlim 2009, mas suspeita sobre seu sexo faz Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) pedir teste de feminilidade; Este não é o primeiro caso, o mais antigo que se tem notícia foi o da polonesa Stella Walsh (vencedora dos 100m na Olimpíada de Los Angeles-1932); após sua morte descobriu-se que tratava-se de um "homem".
Contudo devemos dicutir como isso ainda acontece nos dias atuais, onde a tecnologia está presente inclusive no esporte (vide os maiôs da natação).
Em primeiro lugar há de se esclarecer que não existe hermafroditismo verdadeiro na espécie humana (possuir os dois aparelhos reprodutores completos), o que se chama erradamente de hermafrodita é um indivíduo com genitália ambígua [algo intemediário externamente entre um pênis e o saco escrotal(sexo masculino) e a vulva (sexo feminino)];
Inicialmente todos nós (homens ou mulheres) temos uma genitália em pré-formação próxima a aparência externa da genitália feminina (a vulva); se apresentarmos geneticamente a informação sexual XY, a gonada formada será o testiculo e com a descida deste forma-se o saco escrotal e inicia-se o desenvolvimento do pênis o que caracteriza o sexo masculino (Lei testicular); caso a informação sexual seja XX, a gonada formada será o ovário e se desenvolverá o útero e ductos uterinos, não ocorrendo muita variação da genitália externa pré-formada, o que caracteriza o sexo feminino.
Contudo em alguns casos o cromossomo Y que é o diferencial entre os sexos, pode ser inativo ou inativado, assim sendo o testiculo não é formado ou não desce para o saco escrotal e a genitália externa se modifica pouco da pré-formada, caracterizando que o indivíduo é geneticamente do sexo masculino e apresenta genitália feminina ou algo mais próximo desta.
O que será feito com a sul-africana Caster Semenya é um teste cromossômico para identificar o seu sexo genético, pois alguns testiculos mesmo não modificando a genitália podem continuar ativos no abdomen produzindo testosterona (hormônio masculinizante) que garantiria a ela um aumento da massa muscular e representativos ganhos físicos incompatíveis com a condição feminina.
Este teste pode ser desde uma simples identificação de cromatina sexual, a um complexo exame de cariótipo e de produção hormonal; seja como for essa não será a última vez que ouviremos falar desse acontecimento na vida e no esporte.
